segunda-feira, 28 de setembro de 2009

DICAS PARA APROFUNDAR SEUS ESTUDOS

QUER APROFUNDAR SEUS ESTUDOS?
O site abaixo contém revisão atualizada de todas as disciplinas.
Confira.
FONTE DE PESQUISA:
http://www.vestibular1.com.br/menu/resumao.htm

terça-feira, 22 de setembro de 2009

EDUCAÇAO


Pnad 2008: Para MEC, atendimento e escolaridade estão "razoáveis" e analfabetismo "preocupa".
(Karina Yamamoto - Editora do UOL Educação)
Atualizada às 17h11Na visão do ministro Fernando Haddad (Educação), o cenário da educação está mais animador do que pode parecer ao se observar os números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2008, divulgados nesta sexta-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).Dentre os três eixos pelos quais o MEC analisa a pesquisa, o atendimento (dado pela taxa de escolarização) e a escolarização (indicacada pelos anos de estudos) estão "de razoáveis a bons" e apenas a alfabetização de adultos "preocupa".O ministro da Educação, Fernando Haddad, comentou os dados da Pnad 2008ANALFABETISMO NO NORDESTEEM QUE O BRASIL DEVE MELHORAR?

VEJA O ESPECIAL PNAD 2008Entre crianças em idade escolar (de 10 a 14 anos), o índice de analfabetismo é de 2,8%. Para Haddad, apesar de o número de crianças nessa situação ainda seja alto (492 mil), o fato positivo é que essa taxa era maior na Pnad 2007. "Eram 552 mil crianças em 2007", contabiliza.

Analfabetismo". O analfabetismo entre adultos ainda é preocupante", admite o ministro diante da taxa de 10% entre a população com 15 anos ou mais no país. O número sinaliza que um em cada dez brasileiros nessa faixa de idade não consegue escrever um bilhete simples. Eles somam 14,2 milhões de brasileiros nessa suituação.

"No entanto, a queda da taxa no Nordeste [de 0,9 pontos percentuais em relação ao índice de 2007 na população acima de 25 anos] é uma boa notícia", defende Haddad uma vez que a taxa no país caiu 0,1 ponto percentual. "Trabalhamos com foco no Nordeste, mas estamos atentos ao Sul e ao Sudeste que estão com a taxa estável", complementa.

Segundo os dados da Pnad, o Sul manteve a taxa de 5% e o Sudeste aumento seu índice de 5,3% (2007) para 5,4% (2008). Segundo Haddad, investir na alfabetização de adultos "é um resgate que tem de ser feito".

Para ele, "uma vez informados dos benefícios do letramento" os adultos aderem aos programas destinados a eles, que são considerados um público difícil de atingir. "Até aquela desconfiança de que alfabetizar adultos não tem validade [pois o investimento não traria retorno financeiro] acabou", disse Haddad, citando a pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas) "Efeitos da alfabetização de adultos sobre salário e emprego".

Ensino médio sobe 2 pontos. O aumento de dois pontos percentuais na taxa de escolarização dos adolescentes com idade entre 15 e 17 anos é vista com muito bons olhos por Haddad. Em 2008, 84,1% dos jovens dessa faixa etária estavam na escola, contra os 82,1% de 2007. Em números absolutos, a população de adolescentes matriculados em 2008 é de 8,65 milhões, contra 8,35 milhões em 2007."Na faixa dos 15 aos 17 o esforço para ampliar matrícula é maior.

Não se trata apenas de um problema de oferta, é necessário tornar a escola mais atraente", diz o ministro, que defende que essa etapa se torne obrigatória. Hoje, apenas o ensino fundamental é universalizado. "Existe uma intensa mobilização para repensar o currículo, dar apoio estudantil e oferecer o ensino regular associado ao profissionalizante", diz Haddad. "Esses dois pontos percentuais cresceram entre setembro de 2007 e setembro de 2008, quando a economia estava gerando empregos no país."Os dados de atendimento apontam que 97,5% das crianças com idade entre 6 e 14 anos estão na escola. Segundo Haddad, o fato de que 97,9% das crianças entre 7 e 14 anos estão na escola revela que "os indicadores estão convergindo" e que a implantação do ensino fundamental de nove anos está em pleno funcionamento.

O ensino médio tem sido foco de programas do MEC. Neste ano, o ministério propôs o ensino médio inovador, que reorganiza as disciplinas tradicionais, aumenta a carga horária, oferece conteúdo profissionalizante e possibilitaria a escolha de parte do currículo. Além disso, estão sendo implantadas mudanças no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) para que ele possa servir como exame de ingresso nas instituições de ensino superior e, com isso, possa induzir mudanças no ensino médio. Ministro comenta repaginação do ensino médio em entrevista ao UOL (17/2/09); assista

Escolarização em "ritmo acelerado". O ministro comemora a "o ritmo acelerado mantido" no aumento do número de anos de estudo. "Países com o mesmo perfil do Brasil ampliam um ano de estudo na população a cada década, estamos ampliando dois anos de estudos a cada dez anos", compara Haddad. "Não é pouco e podemos acelerar mais, mas dependemos de mecanismos como esse da DRU [Desvinculação de Recursos da União] aprovada na Câmara esta semana", diz.

Especialistas, como Célio Cunha, apontam que o mínimo de escolarização necessária é 10 anos de estudo.Para o ministro, é preciso observar ainda os indicadores de qualidade do ensino, ou seja, os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). "Os indicadores de qualidade estão melhorando", afirma.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

VIDEO: AS CONQUISTAS DE ALEXANDRE O GRANDE

FONTE DE PESQUISA: http://www.youtube.com/watch?v=Gjzi1wIrWks

HELENISMO


AS CORRENTES FILOSÓFICAS

OS CÍNICOS. Conta-se que, um dia, Sócrates parou diante de uma tenda do mercado em que estavam expostas diversas mercadorias. Depois de algum tempo, ele exclamou: “Vejam quantas coisas o ateniense precisa para viver!”. Naturalmente ele queria dizer com isto que ele próprio não precisava de nada daquilo. Esta postura de Sócrates foi o ponto de partida para a filosofia cínica, fundada em Atenas por Antístenes – um discípulo de Sócrates -, por volta de 400 a.C. Os cínicos diziam que a verdadeira felicidade não depende de fatores externos como o luxo, o poder político e a boa saúde. Para eles, a verdadeira felicidade consistia em se libertar dessas coisas casuais e efêmeras. E justamente porque a felicidade não estava nessas coisas ela podia ser alcançada por todos. E, uma vez alcançada, não podia mais ser perdida.

O cínico mais importante foi Diógenes, discípulo de Antístenes. Conta-se que ele vivia dentro de um barril e não possuía mais do que uma túnica, um cajado e um embornal de pão. (Desse jeito não era nada fácil roubar dele sua felicidade!) Um dia, quando estava sentado ao sol junto ao seu barril, recebeu a visita de Alexandre Magno. Alexandre aproximou-se do sábio, perguntou-lhe se ele tinha algum desejo e disse-lhe que, caso tivesse, seu desejo seria imediatamente satisfeito. Ao que Diógenes respondeu: “Sim, desejo que te afastes da frente do meu sol”. Com isto Diógenes mostrou que era mais rico e mais feliz que o grande conquistador. Ele tinha tudo o que desejava.
Os cínicos achavam que as pessoas não precisavam se preocupar com a saúde, nem mesmo com o sofrimento e com a morte. E elas também não deveriam se atormentar com o sofrimento dos outros. Hoje em dia, quando empregamos as palavras “cínico” e “cinismo” estamos nos referindo, na maioria das vezes, a apenas este aspecto: o da impudência, da insensibilidade ao sentir e ao sofrer do outro.

OS ESTÓICOS. Os cínicos foram de grande importância para a filosofia estóica, que surgiu em Atenas por volta de 300 a.C. Seu fundador foi Zenão, originário da ilha de Chipre, que se transferiu para Atenas depois de ter sobrevivido a um naufrágio. Ele reunia seus ouvintes debaixo de um pórtico. O substantivo estóico vem da palavra grega para “pórtico” (stoa). O estoicismo teria mais tarde grande importância para a cultura romana. Assim como Heráclito, os estóicos diziam que todas as pessoas eram parte de uma mesma razão universal, ou “logos”. Eles consideravam cada pessoa um mundo em miniatura, um “microcosmo”, que era reflexo do “macrocosmo”. Isto levou à idéia de um direito universalmente válido, o assim chamado direito natural. O direito natural baseia-se na razão atemporal do homem e do universo e, por isso mesmo, não se modifica no tempo e no espaço. Nesse sentido, os estóicos colocam-se ao lado de Sócrates contra os sofistas.

O direito natural vale para todas as pessoas, inclusive para os escravos. Para os estóicos, as legislações dos diferentes Estados não passavam de imitações imperfeitas de um direito cujas bases estavam na própria natureza. Assim como apagavam a diferença entre o indivíduo e o universo, os estóicos também negavam a oposição entre “espírito” e “matéria”. Para eles existia apenas uma natureza. Chamamos tal concepção de monismo (em oposição, por exemplo, ao claro dualismo, à bipartição da realidade, de Platão).

Os estóicos eram marcadamente “cosmopolitas”, o que significa que eram filhos legítimos de sua época. Sendo cosmopolitas eram mais abertos para a cultura contemporânea do que os “filósofos de barril” (os cínicos). Os estóicos chamavam a atenção para a convivência entre as pessoas, interessavam-se por política, e alguns deles chegaram até mesmo a ser estadistas atuantes, como o imperador romano Marco Aurélio (121-180), por exemplo. Graças a esses homens, e sobretudo ao orador, filósofo e político Cícero (106-43 a.C.), a cultura e a filosofia gregas conquistaram terreno em Roma. Foi Cícero quem cunhou o conceito de humanismo enquanto cosmovisão na qual o homem ocupa o ponto central. Alguns anos depois, o estóico Sêneca (4 a.C.-65 d.C.) escreveu que “para a humanidade, a humanidade é sagrada”. Esta afirmação ficou para a posteridade como uma espécie de slogan do humanismo.

Além disso, os estóicos diziam que todos os processos naturais – por exemplo, a enfermidade e a morte – eram regidos pelas constantes leis da natureza. Por esta razão, o homem deveria aprender a aceitar o seu destino. Nada acontece por acaso, diziam os estóicos. Tudo acontece porque tem de acontecer e de nada adianta alguém lamentar a sorte quando o destino bate à sua porta. Também as coisas felizes da vida devem ser aceitas pelo homem com grande tranqüilidade. Vemos aqui a proximidade dos estóicos com os cínicos, que viam com total indiferença todos esses eventos exteriores. Ainda hoje falamos de uma “tranqüilidade estóica” quando queremos nos referir a uma pessoa que não se deixa inflamar por seus sentimentos.

OS EPICUREUS. Como vimos, Sócrates queria descobrir como o homem podia levar uma boa vida. Na interpretação de Sócrates feita pelos cínicos e estóicos, isto estava na necessidade de o homem se libertar de todo o luxo material. Mas Sócrates também teve um aluno chamado Aristipo. Para ele, o objetivo da vida seria obter dos sentidos o máximo possível de satisfação. Aristipo dizia que o prazer era o bem supremo, e a dor, o mal supremo. Assim, seu objetivo maior era desenvolver uma filosofia de vida capaz de afastar toda e qualquer forma de dor e sofrimento. (O objetivo dos cínicos e dos estóicos era suportar todas as formas de dor, e isto é algo completamente diferente de fazer todo o esforço para tirar do caminho a dor.)

Por volta de 300 a.C. Epicuro (341-270 a.C.) funda em Atenas uma escola filosófica: a escola dos epicureus. Ele desenvolveu ainda mais a ética do prazer de Aristipo e a combinou com a teoria do átomo de Demócrito. Conta-se que os epicureus reuniam-se num jardim. Por esta razão, também eram chamados de “filósofos do jardim”. Dizem também que sobre o portão de entrada do jardim havia a seguinte inscrição: “Forasteiro, aqui te sentirás bem. Aqui, o bem supremo é o prazer”.

Epicuro ensinava que o resultado prazeroso de uma ação sempre deve ser ponderado em relação a seus eventuais efeitos colaterais. Se você já comeu chocolate demais, então você entende o que digo. Se não, vou lhe propor uma tarefa: pegue todas as suas economias e gaste cem coroas em chocolate. (Estou partindo do pressuposto de que você gosta de chocolate.) O importante nesta tarefa é que você coma todo o chocolate de uma só vez. Mais ou menos meia hora depois de ter comido todo esse delicioso chocolate você vai entender o que Epicuro queria dizer quando falava em “efeitos colaterais”.

Epicuro também achava que o resultado prazeroso de curto prazo devia ser ponderado em relação a um prazer maior, mais duradouro e mais intenso, a ser obtido em longo prazo. (Podemos imaginar, por exemplo, que durante todo um ano você não compre chocolate porque prefira economizar sua mesada para comprar uma bicicleta nova, ou então para fazer uma viagem ao exterior.) Diferentemente dos animais, o homem tem a possibilidade de planejar a sua vida. Ele possui a capacidade de “calcular o seu prazer”. Um delicioso chocolate é, sem dúvida, um valor, mas a bicicleta nova ou a viagem à Inglaterra também o são.

Epicuro fazia questão de enfatizar, porém, que “prazer” não significa necessariamente satisfação dos sentidos (por exemplo, comer chocolate). A amizade ou a sensação vivenciada ao se admirar uma obra de arte também podem ser muito prazerosas. Além disso, outros pressupostos para o prazer da vida são os velhos ideais gregos do autocontrole, da temperança e da serenidade. Isto porque o desejo precisa ser controlado. Assim, a serenidade também nos ajuda a suportar a dor.

Com freqüência, pessoas acometidas por temores de origem religiosa procuravam o jardim de Epicuro. Nesse caso, a teoria do átomo de Demócrito era extremamente útil contra a religião e a superstição. Para viver uma boa vida também era importante se libertar do medo da morte. Nesta questão, Epicuro retomava a teoria de Demócrito sobre os “átomos da alma”. Talvez você ainda lembre que Demócrito não acreditava na vida depois da morte, já que após a morte os “átomos da alma” se dispersavam para todos os lados.

“Por que ter medo da morte?”, perguntava Epicuro. “Enquanto somos, a morte não existe, e quando ela passa a existir, nós deixamos de ser.” (Visto deste ponto de vista, de fato ninguém jamais foi incomodado pelo fato de estar morto.) O próprio Epicuro resumia sua filosofia libertadora naquilo que ele chamava de quatro remédios:

Não precisamos temer os deuses. Não precisamos nos preocupar com a morte. É fácil alcançar o bem. É fácil suportar o que nos amedronta. Na Grécia não era novidade comparar a atividade do filósofo com a do médico. Nesse sentido, o homem precisa ter sempre à mão uma “farmacinha filosófica de bolso” que contenha os quatro remédios importantes que mencionei acima. Contrariamente aos estóicos, os epicureus quase não se interessavam pela política e pela sociedade. “Vive em reclusão!” era o conselho de Epicuro. Talvez possamos comparar o seu jardim com as comunidades de nossos dias. Nesta época em que vivemos, muitas pessoas buscam uma ilha, um “porto seguro” em meio ao turbilhão da sociedade.

Depois de Epicuro, muitos epicureus evoluíram sua reflexão no sentido de uma busca unilateral do prazer. Sua palavra de ordem era: “Viver o momento!”. A palavra “epicurista” é freqüentemente usada em nossos dias de forma pejorativa, para designar alguém que só vive pelo prazer.

O NEOPLATONISMO. Os cínicos, os estóicos e os epicureus tiveram como ponto de partida os ensinamentos de Sócrates. Além dele, podemos constatar também uma influência dos pré-socráticos Demócrito e Heráclito. Mas a mais importante corrente filosófica do final da Antigüidade foi inspirada em Platão. E por isso ela é chamada de neoplatonismo.

O neoplatônico mais importante foi Plotino (c. 205-270), que estudou filosofia em Alexandria e mais tarde mudou-se para Roma. É interessante notar que ele veio de Alexandria, a cidade que já havia alguns séculos era o grande ponto de encontro entre a filosofia grega e a mística oriental. Plotino trouxe para Roma uma doutrina da salvação que viria a se tornar séria concorrente do cristianismo vigente naquela época. Mas o neoplatonismo também viria a exercer uma forte influência sobre a teologia cristã.

Na certa você ainda se lembra da teoria das idéias de Platão. Você ainda deve saber, portanto, que ele estabelecia uma diferença entre o mundo das idéias e o mundo dos sentidos. Assim, Platão distinguia claramente entre a alma do homem e o seu corpo. Deste ponto de vista, o homem era uma criatura dual: para Platão, nosso corpo se constitui de terra e pó, como tudo o mais do mundo dos sentidos, mas nós também possuímos uma alma imortal. Muito antes de Platão essa noção já era bastante difundida na Grécia. Além dela, Plotino conhecia também concepções asiáticas semelhantes.

Plotino via o mundo como algo distendido entre dois pólos. Numa extremidade estava a luz divina, que ele chamava de o Uno. Às vezes ele também a chamava de Deus. Na outra extremidade reinavam trevas absolutas, que não eram banhadas pela luz do Uno. Mas Plotino achava que essas trevas de fato não tinham uma existência concreta. Para ele, elas nada mais eram do que a ausência de luz. Ou seja, as trevas não são. A única coisa que existe para ele é Deus, ou o Uno. Mas assim como uma fonte de luz pouco a pouco se perde na escuridão, também podemos imaginar um lugar aonde os raios divinos não são capazes de chegar.

De acordo com Plotino, portanto, a luz do Uno ilumina a alma, ao passo que a matéria são as trevas, que não possuem uma existência real. Mas as formas da natureza também possuem, segundo ele, um tênue reflexo do Uno.

Imagine uma enorme fogueira crepitando no meio da noite. Do meio do fogo saltam centelhas em todas as direções. Num amplo círculo ao redor do fogo a noite é iluminada, e a alguns quilômetros de distância ainda é possível ver o leve brilho desta fogueira. À medida que nos afastamos, a fogueira vai se transformando num minúsculo ponto de luz, como uma lanterna fraca na noite. E se nos afastarmos mais ainda, chegaremos a um ponto em que a luz do fogo não mais consegue nos alcançar. Em algum lugar os raios luminosos se perdem na noite e se estiver muito escuro não vamos enxergar nada. Nesse momento, contornos e sombras deixam de existir.

Agora imagine a realidade como sendo esta enorme fogueira. O que arde é Deus – e as trevas lá fora são a matéria fria, da qual são feitos homens e animais. Junto a Deus estão as idéias eternas, que são as formas primordiais de todas as criaturas. Sobretudo a alma humana é uma “centelha de fogo”. Mas por toda a parte na natureza aparece um pouco desta luz divina. Podemos vê-la em todos os seres vivos; sim, até mesmo uma rosa ou uma campânula possuem um brilho divino. No ponto mais distante do Deus vivo estão a terra, a água e as pedras.

Estou dizendo que tudo o que vemos tem um pouco do mistério divino. Podemos ver o brilho desta alguma coisa num girassol ou numa papoula. Percebemos um pouco mais deste insondável mistério numa borboleta que pousou num galho, ou num peixinho dourado que nada no aquário. Mas o ponto mais próximo em que nos encontramos de Deus é dentro de nossa própria alma. Só lá é que podemos nos re-unir com o grande mistério da vida. De fato, em alguns raros momentos podemos sentir que somos, nós mesmos, este mistério divino.

As imagens que Plotino usa lembram a alegoria da caverna de Platão: quanto mais nos aproximamos da entrada da caverna, mais perto estamos daquilo de onde provém tudo o que existe. Mas em oposição à nítida divisão da realidade em duas partes estabelecida por Platão, a doutrina de Plotino nos convida a vivenciar a plenitude. Tudo é um, pois tudo é Deus. Até mesmo as sombras lá embaixo, na caverna de Platão, têm um tênue reflexo dessa “Unidade”.

Em alguns poucos momentos de sua vida Plotino experimentou a sensação de fundir sua alma com Deus. De modo geral, chamamos isto de experiência mística. Plotino não foi o único a viver tal experiência. Pessoas de todas as culturas, em todos os tempos, têm relatado experiências semelhantes. Ainda que as descrições dessas experiências sejam as mais diversas, esses relatos têm muitos e importantes pontos comuns. Vamos ver alguns deles.

MISTICISMO. Uma experiência mística significa sentir-se um só com Deus ou com a “alma do universo”. Em muitas religiões, diz-se que há um abismo entre Deus e sua criação. O místico, porém, não conhece este abismo. O que ele – ou ela – conhece é uma “elevação a Deus”.

Trata-se do seguinte: aquilo que geralmente chamamos de “eu” não é nosso eu verdadeiro. Em poucos e efêmeros momentos podemos experimentar a sensação de nos identificarmos com um eu muito maior. Alguns místicos chamam este eu maior de Deus, outros de “espírito cósmico”, outros de “natureza cósmica”, outros ainda de “universo”. Nessa identificação, nessa fusão, o místico experimenta a sensação de “perder-se a si mesmo”: ele desaparece – ou se perde – em Deus, como uma gota d’água “se perde” quando se mistura à água do mar. Certa vez, um místico indiano expressou assim essa experiência: “Quando eu era, Deus não era. Agora Deus é, e eu não sou mais”. O místico cristão Ângelus Silesius (1624-1677) disse: “A pequena gota se transforma em mar quando chega até ele; e assim a alma se transforma em Deus quando é nele acolhida”.

Talvez você não ache muito confortável a idéia de “perder-se a si mesma”, Sofia. E eu entendo você. Mas o ponto é o seguinte: o que se perde é infinitamente menor do que aquilo que se ganha. Você se perde nesta forma que você tem agora, mas ao mesmo tempo compreende que você é algo infinitamente maior. Você é o universo inteiro. Sim, você é o espírito cósmico, querida Sofia. Você é Deus. Se para isto você tem de perder-se enquanto Sofia Amundsen, então talvez sirva de consolo o reconhecimento de que um dia você terá de perder este “eu cotidiano”, de uma forma ou de outra. Para os místicos, o seu verdadeiro eu, que você só poderá experimentar se conseguir se libertar de si mesma, é o fogo misterioso que queima para toda a eternidade.

Só que tal experiência mística nem sempre ocorre espontaneamente. Com freqüência, o místico tem de percorrer “o caminho da purificação e da iluminação”, a fim de poder se encontrar com Deus. Este caminho consiste na meditação e numa vida extremamente simples. Ao fim da jornada, porém, o místico chega a seu objetivo e pode dizer: “Eu sou Deus! Eu sou Você!”. Encontramos vertentes místicas em todas as grandes religiões do mundo. E tudo o que os místicos escrevem sobre suas experiências apresenta visíveis semelhanças, a despeito de todas as diferenças culturais. Somente quando o místico tenta uma interpretação religiosa ou filosófica para sua experiência mística é que se evidencia o pano de fundo cultural.

Na mística ocidental – quer dizer, no judaísmo, no cristianismo e no islamismo -, o místico afirma que seu encontro é com um Deus pessoal. Embora Deus esteja presente na natureza e na alma humana, ele também está muito além e muito acima deste mundo. Na mística oriental – isto é, no hinduísmo, no budismo e na religião chinesa -, o que se afirma é que o místico experimenta uma fusão total com um Deus que é o “espírito cósmico”. O místico pode dizer “Eu sou o espírito cósmico”, ou então “Eu sou Deus”. Pois Deus não está apenas presente no mundo; ele não tem outro lugar para estar.

Na Índia, sobretudo, já havia várias e fortes correntes místicas muito antes de Platão. Swami Vivekananda, que contribuiu para trazer ao Ocidente os pensamentos do hinduísmo, disse certa vez: “Assim como certas religiões do mundo chamam de ateus os homens que não acreditam num Deus pessoal além de si mesmos, dizemos que é ateu aquele que não acredita em si mesmo. Não acreditar no esplendor da própria alma: isto é o que chamamos de ateísmo”. Uma experiência mística também pode ser de importância para a ética. Um antigo presidente indiano, Radhakrishnan, disse certa vez: “Ama o teu próximo como a ti mesmo, pois tu és o teu próximo. É ilusão acreditar que teu próximo é outro, e não tu”.

Pessoas de nossa época, que não pertencem a determinada religião, têm relatado experiências místicas. De repente elas experimentam algo que chamam de “consciência cósmica” ou “sentimento oceânico”: sentem-se como que arrancadas do tempo e experimentam o mundo “da perspectiva da eternidade”.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

DEMOCRACIA

Participação direta e indireta

Você já sabe que a democracia é um regime de governo caracterizado pela participação popular. Entretanto, o modo por meio do qual essa participação se dá, permite estabelecer uma diferença entre dois tipos de democracia. Ao menos, assim refletiram os diversos filósofos que, durante o século 18, se debruçaram sobre a questão. Esses dois tipos de democracia são ao mesmo tempo divergentes e complementares.Vamos tentar entender o porquê desse paradoxo, mas, antes disso, é preciso ficar mais claro do que estamos falando. Então, quanto ao modo de participação popular, a democracia pode ser:

direta: em que todos os indivíduos de uma coletividade manifestam sua opinião sobre os assuntos concernentes a esta mesma coletividade, votando em assembléias ou reuniões coletivas;
representativa: em que a coletividade elege representantes a quem delega o poder para tomar as decisões.

História da democracia. O regime de governo democrático originou-se em Atenas, na Grécia da Antigüidade, conhecendo seu apogeu no século 5 a.C. Tratava-se precisamente de um regime em que o "povo" se manifestava diretamente, reunindo-se e votando em assembléias, para tomar as decisões a respeito da vida da sua cidade.

Todo cidadão ateniense tinha não só o direito, como também o dever de participar dessas assembléias. Todos os cidadãos eram iguais perante a lei e tinham o direito não só a votar, como também expressar sua opinião e defender o seu ponto de vista, convencendo outros a votar como ele.

A princípio, esse pode lhe parecer o melhor dos mundos, mas, a bem da verdade, não era bem assim. Ser um cidadão ateniense não era uma condição de que usufruíam todos os habitantes de Atenas. Naquela sociedade, as mulheres, os escravos e os estrangeiros não eram considerados cidadãos. Por isso, estavam totalmente excluídos das grandes decisões. Desse modo, somente 10% do povo de Atenas estavam aptos a participar da democracia.

Democracia ateniense. De qualquer maneira, o simples surgimento do ideal democrático é importantíssimo: tratava-se de um novo valor, que se contrapunha aos regimes de governo anteriores, que, segundo a definição de Aristóteles, são a monarquia (o governo de um só, o rei) e a aristocracia, o governo de um grupo de elite (seja econômica, militar, tecnológica). Ou, trocando em miúdos, em que um ou alguns poucos mandam e aos outros só resta obedecer.

Apesar da experiência democrática ateniense, os principais filósofos gregos, como Sócrates, Platão e o próprio Aristóteles, viam com certa reserva, quando não com desprezo, a democracia. Bem, no fundo, eles eram sábios e, por isso mesmo, acreditavam que só os sábios deveriam exercer o governo, numa ordem social que poderia ser monárquica ou aristocrática...

Democracia na modernidade. Historicamente, depois da Grécia e de Roma, as idéias democráticas só irão reaparecer com maior força na Idade Moderna, a partir dos séculos 17 e 18. Nessa época, os abusos de poder dos monarcas levaram os intelectuais a discutir os poderes absolutos do governante, questionando o que tornava legítimo qualquer poder de qualquer governo. Contra o absolutismo em vigor, ergueu-se o liberalismo.

As idéias liberais se revoltaram contra a ordem aristocrática que vinha da Idade Média, quando o poder político e a propriedade tinham transmissão hereditária: os herdeiros do rei e dos nobres recebiam não só as terras e os bens de seus antepassados, como também o poder sobre os homens que viviam em suas propriedades.O pensamento liberal, ao contrário, estabeleceu uma distinção entre a esfera pública e a privada, entre a sociedade política e a sociedade civil. Para um filósofo liberal, como John Locke, o poder só é exercido com legitimidade se tiver origem parlamentar. O que isso significa? Isso significa que ninguém tem o direito de ocupar um cargo político só porque nasceu numa família nobre.

Representantes do povo. O direito ao poder, para Locke, depende de um mandato popular. Nesse sentido, a representação política só adquire legitimidade se tiver surgido da vontade dos cidadãos, expressa pelo voto. Os cidadãos elegem representantes para defender seus interesses junto ao governo.

Mais uma vez, porém, a representação popular a que se refere o liberalismo dos séculos 17 e 18, não deixava de ser elitista. Abrangia somente os grupos sociais mais favorecidos. O voto era censitário, isto é, dependia de um censo - imposto pago para se obter a condição de eleitor. Com isso, a grande maioria da população estava excluída do processo político e as decisões continuavam restritas àqueles que possuíam renda e propriedades.

Além da representação. Ainda no século 18 - enquanto se levantava e valorizava a questão da legitimidade da representação - um outro filósofo, Jean-Jacques Rousseau defendia um novo enfoque para a democracia direta da velha Grécia.

Para ele, as sociedades humanas são construídas a partir de um pacto ou contrato social. Por meio desse acordo, cada indivíduo aliena seu poder em favor da coletividade. Entretanto, a vontade geral não poderia jamais ser alienada nem representada. Ou seja, para Rousseau, os deputados e governantes não são representantes do povo, mas apenas seus agentes. Assim, devem estar subordinados à soberania popular, que toma decisões por meio de assembléias, plebiscitos e referendos.

Vontade geral é o conceito básico para compreender como Rousseau encarava a democracia. No seu modo de ver as coisas, todo indivíduo é - ao mesmo tempo - uma pessoa privada e uma pessoa pública (cidadão): enquanto pessoa privada, ela trata de seus interesses particulares; enquanto pessoa pública faz parte de um corpo coletivo que tem interesses comuns.

Problemas e conflitos. Mas nem sempre o interesse de um coincide com o de outro, pois muitas vezes o que beneficia uma pessoa em particular pode ser prejudicial ao interesse coletivo. Nesses termos, aprender a ser cidadão é justamente saber distinguir qual é a vontade geral, típica do interesse de todos, mesmo que à revelia dos seus próprios interesses enquanto pessoa particular.
Rousseau não era ingênuo a ponto de desconhecer as dificuldades de implantação de uma democracia direta, sobretudo em nações de território extenso e grande densidade populacional. No mundo de hoje, de fato, ela parece inviável. Imagine que fosse necessário colher a opinião de cerca de 120 milhões de brasileiros cada vez que uma decisão governamental tivesse de ser tomada...

Tentativa e erro. Por outro lado, alguns instrumentos da democracia direta - como os plebiscitos e os referendos - são muitas vezes fundamentais para a vontade da maioria prevalecer sobre os interesses minoritários. Para haver participação popular no exercício do poder, contudo, é necessário que os cidadãos sejam politizados: saibam o que querem ou do que precisam e conheçam aqueles que agirão a bem do interesse comum.

Caso contrário, a manipulação, a corrupção e o jogo de interesses acabam transformando a maioria da população numa massa de manobras, que agirá em detrimento de seus próprios interesses e necessidades. Na verdade, a cidadania e a democracia se aprendem no seu próprio exercício. Como dizia Aristóteles, "só construindo podemos nos tornar mestres de obra". É um processo de tentativa e erro, no qual os brasileiros, por sinal, parecem ter errado mais do que acertado nos últimos anos... De qualquer modo, a única alternativa é continuar tentando.










FONTE DE PESQUISA:
http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult1704u69.jhtm

ARISTÓTELES

O mundo da experiência, as quatro causas, ética e política.
(Josué Cândido da Silva*)

Em 1996, descobriu-se em Atenas, Grécia, o sítio arqueológico onde funcionou o Liceu - a escola fundada por Aristóteles (384-322 a.C.), para concorrer com a Academia, a escola anterior, fundada por seu antigo professor, Platão (427-347 a.C.). A fundação do Liceu não reflete nenhuma ingratidão do discípulo com seu mestre, que por sinal já havia morrido cerca de dez anos quando a escola aristotélica surgiu (336 a.C.). Aluno de Platão, a quem reconhecia o gênio, Aristóteles passou a discordar de uma idéia fundamental de sua filosofia e, então, o pensamento dos dois se distanciou. Talvez seja esse o ponto de partida para se falar da obra filosófica aristotélica. Platão concebia a existência de dois mundos: aquele que é apreendido por nossos sentidos - por assim dizer, o mundo concreto -, que está em constante mutação; e um outro mundo - abstrato -, o mundo das idéias, imutável, independente do tempo e do espaço, que nos é acessível somente pelo intelecto.

O mundo da experiência. Para Aristóteles, existe um único mundo: este em que vivemos. Só nele encontramos bases sólidas para empreender investigações filosóficas. Aliás, é o nosso deslumbramento com este mundo que nos leva a filosofar, para conhecê-lo e entendê-lo. Aristóteles sustenta que o que está além de nossa experiência não pode ser nada para nós. Nesse sentido, ele não acreditava e não via razões para acreditar no mundo das idéias ou das formas ideais platônicas. Porém, conhecer o mundo da experiência, "concreto", foi um desejo ao qual Aristóteles se entregou apaixonadamente. Assim, ele descreveu os campos básicos da investigação da realidade e deu-lhes os nomes com que são conhecidos até os nossos dias: lógica, física, política, economia, psicologia, metafísica, meteorologia, retórica e ética. Aliás, ele inventou também os termos técnicos dessas disciplinas e eles também se mantêm em uso desde então. Exemplos? Energia, dinâmica, indução, demonstração, substância, essência, propriedade, categoria, proposição, tópico, etc.

O que é ser? Filósofo que sistematizou a lógica, Aristóteles definiu as formas de inferência que são válidas e as que não são, além de nomeá-las. Durante dois milênios, estudar lógica significou estudar a lógica aristotélica.Aristóteles aplicou a lógica, antes de mais nada, para responder a uma questão que lhe parecia a mais importante de todas: o que é ser?, ou, em outras palavras, o que significa existir? Primeiramente, o filósofo constatou que as coisas não são a matéria de que se constituem. Por exemplo, uma pilha de telhas, outra de tijolos, vigas e colunas de madeira não são uma casa. Para se tornarem casa, é necessário que estejam reunidas de um modo determinado, numa estrutura muito específica e detalhada. Essa estrutura é a casa; e os materiais, embora necessários, podem variar.
Com o tempo, nosso corpo está em constante mutação - transforma-se da infância para adolescência, desta para a idade adulta e, finalmente, para a velhice. Nem por isso deixamos de ser nós mesmos. Da mesma maneira, um cão é um cão em virtude de uma organização e estrutura que ele compartilha com outros cães e que o diferencia de outros animais que também são feitos de carne, pelos, ossos, sangue...

As quatro causas. Para Aristóteles uma coisa é o que é devido a sua forma. Como, porém, o filósofo entende essa expressão? Ele compreende a forma como a explicação da coisa, a causa de algo ser aquilo que é. Na verdade, Aristóteles distingue a existência de quatro causas diferentes e complementares: a) Causa material: de que a coisa é feita? No exemplo da casa, de tijolos.: b) Causa eficiente: o que fez a coisa? A construção: c) Causa formal: o que lhe dá a forma? A própria casa.: d) Causa final: o que lhe deu a forma? A intenção do construtor.

Embora Aristóteles não seja materialista (vimos que a forma não é a matéria), sua explicação do mundo é mundana, está no próprio mundo. Finalmente, para o filósofo, a essência de qualquer objeto é a sua função. Diz ele que, se o olho tivesse uma alma, esta seria o olhar; se um machado tivesse uma alma, esta seria o cortar. Entendendo isso, entendemos as coisas. Ms o pensamento aristotélico não se limitou a essa área da filosofia que podemos chamar de teoria do conhecimento ou epistemologia. Deixando de lado os domínios que deram origem a outras ciências e nos limitando à filosofia propriamente dita, Aristóteles ainda refletiu sobre a ética, a política e a poética (que, no caso, compreende não apenas a poesia, mas a obra literária e teatral).

Ética e política. No campo da ética, segundo Aristóteles, todos nós queremos ser felizes no sentido mais pleno dessa palavra. Para obter a felicidade, devemos desenvolver e exercer nossas capacidades no interior do convívio social. Aristóteles acredita que a auto-indulgência e a autoconfiança exageradas criam conflitos com os outros e prejudicam nosso caráter. Contudo, inibir esses sentimentos também seria prejudicial. Vem daí sua célebre doutrina do justo meio, pela qual a virtude é um ponto intermediário entre dois extremos, os quais, por sua vez, constituem vícios ou defeitos de caráter. or exemplo, a generosidade é uma virtude que se situa entre o esbanjamento e a mesquinharia.
A coragem fica entre a imprudência e a covardia; o amor-próprio, entre a vaidade e a falta de auto-estima, o desprezo por si mesmo. Nesse sentido, a ética aristotélica é uma ética do comedimento, da moderação, do afastamento de todo e qualquer excesso. Para Aristóteles, é a ética que conduz à política. Segundo o filósofo, governar é permitir aos cidadãos viver a vida plena e feliz eticamente alcançada. O Estado, portanto, deve tornar possível o desenvolvimento e a felicidade do indivíduo. Por fim, o indivíduo só pode ser feliz em sociedade, pois o homem é, mais do que um ser social, um animal político - ou seja, que precisa estabelecer relações com outros homens.

O papel da arte. A poética tem, para Aristóteles, um papel importantíssimo nisso, na medida em que é a arte - em especial a tragédia - que nos proporciona as grandes noções sobre a vida, por meio de uma experiência emocional. Identificamo-nos com os personagens da tragédia e isso nos proporciona a catarse, uma descarga de desordens emocionais que nos purifica, seja pela piedade ou pelo terror que o conflito vivido pelas personagens desperta em nós. Tudo isso é, evidentemente, um resumo ultra-sintético do pensamento aristotélico. Sua obra é gigantesca, apesar de a maior parte dela ter se perdido ao longo dos tempos. O que chegou até nós corresponde a 1/5 de sua produção. São notas suas e de seus discípulos que passaram nas mãos de estudiosos da Antigüidade, da Idade Média (parte dos quais em países islâmicos), e que foram reorganizadas pela posteridade. Principalmente em função disso, a leitura de Aristóteles é difícil e seus textos não possuem a qualidade artística que encontramos nas obras de Platão.

Aristóteles - Da causa material à causa final. Apesar de ter sido discípulo de Platão durante vinte anos, Aristóteles (384-322 a.C.) diverge profundamente de seu mestre em sua teoria do conhecimento. Isso pode ser atribuído, em parte, ao profundo interesse de Aristóteles pela natureza (ele realizou grandes progressos em biologia e física), sem descuidar dos assuntos humanos, como a ética e a política. ara Aristóteles, o dualismo platônico entre mundo sensível e mundo das idéias era um artifício dispensável para responder à pergunta sobre o conhecimento verdadeiro. Nossos pensamentos não surgem do contato de nossa alma com o mundo das idéias, mas da experiência sensível. "Nada está no intelecto sem antes ter passado pelos sentidos", dizia o filósofo.

Isso significa que não posso ter idéia de um teiú sem ter observado um diretamente ou por meio de uma pesquisa científica. Sem isso, "teiú" é apenas uma palavra vazia de significado. Igualmente vazio ficaria nosso intelecto se não fosse preenchido pelas informações que os sentidos nos trazem. Mas nossa razão não é apenas receptora de informações. Aliás, o que nos distingue como seres racionais é a capacidade de conhecer. E conhecer está ligado à capacidade de entender o que a coisa é no que ela tem de essencial. Por exemplo, se digo que "todos os cavalos são brancos", vou deixar de fora um grande número de animais que poderiam ser considerados cavalos, mas que não são brancos. Por isso, ser branco não é algo essencial em um cavalo, mas você nunca encontrará um cavalo que não seja mamífero, quadrúpede e herbívoro.

O papel da razão. Conhecer é perceber o que acontece sempre ou freqüentemente. As coisas que acontecem de modo esporádico ou ao acaso, como o fato de uma pessoa ser baixa ou alta, ter cabelos castanhos ou escuros, nada disso é essencial. Aristóteles chama essas características de acidentes. O erro dos sofistas (e de muita gente ainda hoje) é o de tomar algo acidental como sendo a essência. Através desse artifício, diziam que não se pode determinar quem é Sócrates, porque se Sócrates é músico, então não é filósofo, se é filósofo, então não é músico. Ora, Sócrates pode ser várias coisas sem que isso mude sua essência, ou seja, o fato de ser um animal racional como todos nós. Mas como nós fazemos para conhecer a definição de algo e separar a essência dos acidentes? Aí está o papel da razão. A razão abstrai, ou seja, classifica, separa e organiza os objetos segundo critérios. Observando os insetos, percebo que eles são muito diferentes uns dos outros, mas será que existe algo que todos tenham em comum que me permita classificar uma barata, um besouro ou um gafanhoto como insetos? Sim, há: todos têm seis pernas. Se abstrairmos mais um pouco, perceberemos que os insetos são animais, como os peixes, as aves...

Ato ou potência. E poderíamos ir mais longe, separando o que é ser, do que não é. E aqui chegamos à outra grande contribuição de Aristóteles: se o ser é e o não-ser não é, como dizia Parmênides, então como é possível o movimento? Segundo Aristóteles, as coisas podem estar em ato ou em potência. Por exemplo, uma semente é uma árvore em potência, mas não em ato. Quando germina, a semente torna-se árvore em ato. O movimento é a passagem do ato à potência e da potência ao ato.

Qual a causa? Por outro lado, se as coisas mudassem completamente ao acaso, não poderíamos conhecê-las. Conhecer é saber qual a causa de algo. Se tenho uma dor de estômago, mas não sei a causa, também não posso tratar-me. Conhecendo a causa é possível saber não só o que a coisa é, mas o que se tornará no futuro. Pois, se determinado efeito se segue sempre de uma determinada causa, então podemos estabelecer leis e regras, tal como se opera nos vários ramos da ciência. Existem quatro tipos de causas: a causa final, a causa eficiente, a causa formal e a causa material. Por exemplo, se examinarmos uma estátua, o mármore é a causa material, a causa eficiente é o escultor, a causa formal é o modelo que serviu de base para escultura e a causa final é o propósito, que pode ser vender a obra ou enfeitar a praça. Há uma hierarquia entre as causas, sendo a causa final a mais importante. A ciência que estuda as causas últimas de tudo é chamada de filosofia. Por isso, a tradição costuma situar a filosofia como a ciência mais elevada ou mãe de todas as ciências, por ser o ramo do conhecimento que estuda as questões mais gerais e abstratas.
FONTE DE PESQUISA:

PLATÃO

Teoria do conhecimento - As coisas mudam, mas as idéias são eternas.
(Josué Cândido da Silva*)

Platão (428-347 a.C.) foi discípulo de Sócrates, por quem sempre nutriu profunda admiração, transformando-o no personagem principal de seus diálogos. Após a morte do mestre, fundou sua própria escola de filosofia, chamada de Academia, em homenagem ao deus Academus. Sua obra está intimamente ligada aos problemas filosóficos de sua época.

Platão viveu durante a florescente democracia ateniense - e na democracia era importante saber argumentar e convencer os cidadãos a votarem nesta ou naquela proposta. Muitos jovens, que pretendiam ter destaque na vida pública, procuravam professores que lhes ensinassem a arte de falar bem e de maneira convincente. Esses professores de oratória e retórica eram os sofistas, título que, originalmente, significa "sábio".

Relativismo. Os sofistas mais famosos foram Protágoras (480-411 a.C.) e Górgias (485-380 a.C.). Para eles não existem verdades imutáveis, válidas para todo o sempre. Muito do que acreditávamos ser certo no passado, hoje sabemos que é falso, e nada garante que no futuro não venha a acontecer o mesmo. O melhor que podemos almejar é construir um consenso provisório sobre o que é certo para maioria, aqui e agora.

"O homem é a medida de todas as coisas", dizia Protágoras, cabe a nós decidir sobre o que é certo ou errado, respeitando os diferentes pontos de vista, pois ninguém pode se julgar dono da verdade. Ora, o melhor modo de fazer isso é a democracia, em que prevalece o livre debate de idéias. A posição dos sofistas é chamada de relativismo, por considerar que não existem verdades absolutas, mas apenas verdades relativas que mudam com o passar do tempo e de uma cultura para outra. Daí a necessidade de sempre refazermos o consenso democrático sobre os problemas que nos afetam e reformar as leis de nossa sociedade.

Modelos ideais imutáveis. Platão achava isso absurdo. É certo que a realidade está sempre mudando, que as coisas nascem e morrem, mas é igualmente certo que existem coisas que não morrem e tampouco mudam. Do contrário, teríamos apenas opiniões (doxa) sobre as coisas, mas nunca um conhecimento (episteme) sobre elas. O que não muda são as idéias das quais as coisas são meras cópias. As coisas podem mudar de forma e tamanho, mas a soma dos ângulos internos de um triângulo será sempre 180 graus, assim como 2 + 2 será sempre igual a 4. O que conhecemos da realidade não é o que pode ser percebido através dos sentidos, mas os modelos ideais imutáveis que estão para além das aparências.

Imagine um edifício, um carro, uma máquina. O que eram antes de existir? Apenas uma idéia na mente do projetista ou inventor. Quando colocada em prática, aparecem as imperfeições que fazem parte da realidade, não da idéia. Da mesma forma, as coisas que existem em nosso mundo são cópias das idéias que lhes deram origem. As cópias estragadas são substituídas por novas, mas a forma permanece sempre a mesma. Quando olhamos para João ou Paula, vemos um ser humano, mas não existe mais humanidade em João do que em Paula, ou melhor, a humanidade não é algo que está neles, mas são como biscoitos retirados de uma mesma forma (ô). Por isso, é inútil buscar alguma verdade no mundo sensível, imperfeito e corruptível, enquanto podemos intuí-la diretamente do mundo das idéias, que permanece imutável e completamente separado do nosso mundo de aparências.

Alma imortal. Mas, se o mundo das idéias é separado do nosso mundo, como Platão sabe que ele existe? Segundo o filósofo, não só ele, mas todos nós sabemos que o mundo das idéias existe porque já estivemos lá. Para Platão, temos em nós duas partes: um corpo corruptível e uma alma imortal. Nossa alma imortal tem sua origem no mundo das idéias, onde contemplou as idéias de tudo o que existe. Assim, quando olhamos para as coisas neste mundo, nos lembramos do que contemplamos no mundo das formas ideais, e dizemos que algo é bom ou justo apesar de nunca encontrarmos algo verdadeiramente bom ou justo em parte alguma.
Quando participamos de um diálogo filosófico, mesmo que seja um diálogo da alma consigo mesma, nos afastamos das opiniões sobre as coisas para contemplar diretamente as idéias. E ao recordar tudo o que vimos no mundo das idéias, onde tudo era eternamente Bom, Belo e Verdadeiro, nossa alma aspira a libertar-se do corpo corruptível, no qual está aprisionada, e voltar para o mundo das idéias.

Enquanto isso não acontece, a alma busca afastar-se de tudo que é ligado ao corpo, dedicando-se à contemplação e à filosofia. Existem almas, porém, que se agarram ao corpo e seus apetites, e tomam o efêmero por duradouro, o relativo pelo verdadeiro. Infelizmente, são poucos os que escolhem o caminho da verdade e da filosofia. Estes são, até mesmo, vistos como loucos pela maioria que vaga entre opiniões incertas. Por tentar retirá-los do mundo de sombras e ilusões em que se encontram (leia "O mito da caverna e a visão além das aparências"), alguns filósofos são perseguidos e até condenados a morte, como aconteceu com Sócrates. O filósofo, entretanto, não pode fechar os olhos para verdade - e a única coisa que pode aspirar é que ela, por fim, prevaleça.
FONTE DE PESQUISA:

OS PRÉ-SOCRÁTICOS


Os pré-socráticos procuram explicar o mundo a partir da natureza - (*Antonio Carlos Olivieri.)

Se voltarmos os olhos para o passado e contemplamos a totalidade da existência humana, o surgimento da filosofia e de filósofos parece um fenômeno realmente bastante estranho, uma secreção etérea que não pode ser explicada em termos de fisiologia ou de necessidade física. Talvez essa atividade notoriamente “inútil” fosse um subproduto de nossos cérebros avantajados, o resultado de pensamentos que ultrapassam as rotinas cotidianas e olham para além de si. A filosofia representou, sem dúvida, uma complicação a mais em nosso uso crescente da linguagem, à medida que um vocabulário rico de conceitos abstratos e subjetivos substituiu nossos grunhidos e rosnados utilitários e expressivos. Mas idéias filosóficas, de alguma forma – idéias sobre a natureza, suas forças e questões, sobre a morada da alma na vida após a morte, por exemplo –, são praticamente universais e podemos encontrar sua origens há dezenas de milhares de anos, na pré-história. Os homens de Neandertal tinham rituais de sepultamento e práticas que sugerem uma crença na continuidade da vida após a morte. Idéias sobre a existência de espíritos, deuses e deusas, e seres ativos e forças além do alcance da percepção humana direta têm também uma longa história. A curiosidade acerca da natureza, não apenas como necessidade prática mas como deslumbramento genuíno, remonta provavelmente a Cro-Magnon. Várias concepções de identidade coletiva e justiça – não só costumes e hábitos de vida em comum, mas mitos e racionalizações do território, do poder e da comunidade – antecedem sem dúvida a “civilização” por muitos séculos.

Em algum momento entre os séculos VI e VII antes da era cristã, no entanto, idéias filosóficas plenamente articuladas e sistemas de pensamento começaram a aparecer em vários lugares esparsos do globo. Em torno do Mediterrâneo e no Oriente Médio, na Índia e na China, surgiram filósofos, grandes filósofos cujas idéias iriam estabelecer os termos da filosofia em suas várias tradições por milênios no futuro. No Oriente Médio, os antigos hebreus desenvolveram sua concepção de um Deus uno e de si mesmos como o “povo escolhido”. Na Grécia, filósofos elaboraram as primeiras teorias científicas da natureza. Na China, os taoístas desenvolveram uma visão muito diferente da natureza, enquanto Confúcio criava uma poderosa concepção da sociedade e do indivíduo virtuoso que rege o pensamento chinês até hoje. Na India antiga, os primeiros teóricos hindus (os vedistas) comentavam a origem da natureza e do mundo, tal como descrita nos Vedas, e especulavam sobre ela, criando. um rico panteão de deuses, deusas e idéias grandiosas.

Além de referir-se a épocas, Solomon e Higgins deixam claro que tipo de questões e idéias formam o que chamamos de pensamento filosófico. De acordo com alguns estudiosos, a filosofia inclui todo tipo de especulação sobre a vida e a morte que o ser humano tenha levantado, incluindo aí as reflexões de caráter religioso. Para outros filósofos, porém, o pensamento filosófico surge na Grécia, por volta do século VI a.C., quando surgem as primeiras tentativas de explicação natural (e não sobrenatural) para os fenômenos da natureza. De fato, isso foi uma coisa nova e um dos momentos essenciais ao desenvolvimento humano, que deram um enorme impulso ao nosso conhecimento.

Os primeiros filósofos gregos - Os primeiros filósofos gregos tentaram entender o mundo com o uso da razão, sem recorrer à religião, à revelação, à autoridade ou à tradição. Além disso, também eram professores que ensinavam seus discípulos a usar a razão e a pensar por si mesmos. Eles os encorajavam a discutir, argumentar, debater e propor idéias próprias. Tendo vivido entre o século VI a.C e princípios do século V a.C., esses filósofos mais antigos, dos quais poucos conhecimentos foram conservados através dos tempos, são também chamados de pré-socráticos, por que antecederam

Sócrates, o primeiro filósofo cujo método de pensar, bastante sistemático, foi efetivamente preservado para a posteridade.
Não se pode, porém, deixar de examinar, ainda que brevemente, o pensamento dos pré-socráticos. Ainda que só nos restem fragmentos de suas idéias, elas são surpreendentes. E não só por constituírem uma grande novidade para a época em que elas foram formuladas, mas também porque muitas delas ou conservam grande atualidade ou encontraram ressonância em filósofos de milênios posteriores, inclusive nossos contemporâneos.

Tales e Anaximandro - Para começar, pode-se mencionar Tales, da cidade de Mileto, na Ásia Menor (atual Turquia). As datas de seu nascimento e morte são ignoradas, mas sabe-se que ele atuou na década de 580 a.C. Tales de Mileto se perguntou: "De que é feito o mundo?". Chegou à conclusão de que ele era feito de um único elemento: a água. Afinal, todas as coisas precisam de água para viver, é a chuva que faz as plantas brotarem da terra e toda porção de terra termina na água. Hoje sabemos que a resposta de Tales estava incorreta, mas não de todo. Na verdade, a física moderna chegou a uma conclusão semelhante à do antigo filósofo ao mostrar que todas as coisas materiais são redutíveis à energia.

Um discípulo de Tales, nascido na mesma cidade, Anaximandro (610 a.C.-546 a.C) desenvolveu outro raciocínio. Se a Terra fosse sustentada pela água, esta, por sua vez, deveria ser sustentada por outra coisa e assim sucessivamente, até o infinito. Disso, Anaximandro concluiu que a Terra não era sustentada por nada, mas um objeto sólido que flutuava no espaço e se mantinha em sua posição graças a sua equidistância em relação a tudo mais.

Heráclito e Pitágoras - Na mesma época, outro filósofo de outra cidade grega, Heráclito de Éfeso, desenvolveu dois raciocínios extremamente originais. Primeiro, a da unidade entre os opostos. Heráclito percebeu que o caminho para subir uma montanha é o mesmo para descer. Ou seja, trata-se de um mesmo caminho, embora ela conduza a direções opostas. A partir daí, o filósofo concluiu que a realidade surge justamente da contradição. Por isso, a realidade é instável e está em constante movimento. "Tudo flui", dizia Heráclito. Com isso, queria dizer que nada é permanente. Ele comparava as coisas a uma chama que parece um objeto, mas é muito mais um processo. Para ele, portanto, a mudança é a lei da vida e do universo.

Pouco antes de Heráclito, outro filósofo também se destacava na cidade grega de Samos: Pitágoras. Supõe-se que ele tenha inventado o termo "filosofia", pois se definia como um amigo (filo) do saber (sofia). Com certeza, sabe-se que ele relacionou a filosofia à matemática, acreditando que a linguagem matemática poderia expressar com maior precisão as estruturas do universo.

Você tem dúvidas de que ele estava certo? Claro que não. A relação matemática/filosofia vingou, e chegou até física e aos filósofos contemporâneos como Bertrand Russell e Alfred Whitehead. Antes de seguir adiante, não se pode esquecer que Pitágoras é o autor do famosíssimo teorema que leva seu nome: num triângulo retângulo, a hiponenusa ao quadrado é igual à soma do quadrado dos catetos. Aliás, foi Pitágoras o inventor da idéia de "quadrado" e "cubo" de um número, traçando uma relação, até então inexistente, entre geometria e aritmética.

Xenófanes e Parmênides - Na última metade do século VI a.C., pontificou outro grande filósofo: Xenófanes de Colofão. Para ele, o conhecimento é uma criação humana. Nós jamais conhecemos a verdade, mas vamos nos aproximando dela, à medida que aprendemos mais e vamos mudando nossas idéias, à luz do que aprendemos. Nesse sentido, conhecer é fazer conjeturas que devem ser substituídas, quando se revelarem ultrapssadas. Essa idéia foi a chave que permitiu ao filósofo contemporâneo Karl Popper estabelecer os limites da ciência.

Na primeira metade do século V a.C., Parmênides, um discípulo de Xenófanes, desenvolveu uma reflexão contrária à de Heráclito. Parmênides considerou que é uma contradição afirmar que "nada existe". Para ele, tudo sempre existiu. O mundo, portanto, não tem princípio, nem foi criado: ele é eterno e imperecível. "Tudo é um", dizia Parmênides, e o que parece mudança ocorre, na verdade, no interior de um sistema fechado e imutável.

Empédocles e Demócrito Sem discordar de Parmênides, Empédocles sustentava que tudo era composto de quatro elementos essenciais e perenes: terra, água, ar e fogo. Essa idéia influenciou o pensamento ocidental até o renascimento e a idéia dos quatro elementos é bastante conhecida ainda hoje, mesmo por quem não conhece história da filosofia.

Para terminar esse breve panorama do pensamento pré-socrático, é importante mencionar os filósofos Leucipo e Demócrito, chamados de "atomistas". Foram eles que teorizaram que se fôssemos reduzindo, por meio de cortes, qualquer coisa, chegaríamos a um momento em que a coisa estaria tão diminuta que não poderia ser cortada. Ou seja, chegaríamos ao átomo ("a" = prefixo de negação; "tomo" = cortar). Segundo ambos, tudo que existe são átomos e espaço. As coisas são diferentes entre si por que são diferentes combinações de átomos no espaço. Mesmo que hoje saibamos que o átomo pode ser subdividido em partículas menores do que ele mesmo, não há como negar o avanço da concepção de Leucipo e Demócrito, não é mesmo? Enfim, os pré-socráticos refletiram sobre a natureza do mundo procurando explicá-lo a partir de sua própria natureza e, se muito do que pensarem pode ser considerado um absurdo hoje em dia, seu pensamento inegavelmente foi o ponto de partida para o entendimento racional do mundo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

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VÍDEO - ALEGORIA DA CAVERNA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO.

O mito da caverna e a visão além das aparências - Heidi Strecker*

Quando pensou em demonstrar a cegueira dos homens diante de um mundo de aparências, Platão contou uma história. Ou melhor, fez com que Sócrates - o personagem central da obra "A República" - contasse uma história a seu companheiro Glauco.

Os homens estão presos por argolas no fundo de uma caverna escura. Sempre viveram ali, sem poder ao menos virar o pescoço. Por trás deles, um fogo arde, a certa distância, irradiando uma luz que se projeta no interior da caverna. Nas paredes, formas humanas, formas que se movem.

Os homens que estão no interior da caverna pensam que o vêem é a realidade. Mas não é, eles vêem apenas suas próprias sombras. Pensam assim porque não conhecem outro mundo.

Com essa alegoria, Platão compara a caverna ao mundo sensível onde vivemos, que é o mundo das aparências. Reflexos da luz verdadeira (as idéias) projetam as sombras (coisas sensíveis que tomamos por verdadeiras). Estamos agrilhoados. No entanto, é possível quebrar esses grilhões, e quem é capaz de fazer isso é o filósofo.

O filósofo é capaz de escalar o muro para a contemplação da luz plena. Essa luz é o Ser, o Bem; é essa a luz que ilumina o mundo inteligível (que se pode conhecer)."Pois, segundo entendo, no limite do cognoscível é que se avista, a custo, a idéia do Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a causa de quanto há de justo e belo; que , no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhor; e que, no mundo inteligível, é ela a senhora da verdade e da inteligência, e que é preciso vê-la para se ser sensato na vida particular e pública."

("A República". 3ª ed. Fundação Calouste Gulbenkian, trad. Maria Helena da Rocha Pereira)

A imagem apresentada por Platão é uma das mais belas e mais conhecidas de toda a história da filosofia. O mito da caverna faz parte do Livro 7 da obra "A República". Esse livro foi escrito entre os anos 385-380 a.C. Obra de maturidade de Platão, é um diálogo entre Sócrates e seus amigos, que apresenta o método dialético de investigação filosófica. Através de aproximações sucessivas, o mestre discute a organização da sociedade, a natureza da política, o papel da educação e a essência da justiça.

*Heidi Strecker é filósofa e educadora.

TEORIA DO CONHECIMENTO - PLATÃO


As coisas mudam, mas as idéias são eternas - (Josué Cândido da Silva)*

Platão (428-347 a.C.) foi discípulo de Sócrates, por quem sempre nutriu profunda admiração, transformando-o no personagem principal de seus diálogos. Após a morte do mestre, fundou sua própria escola de filosofia, chamada de Academia, em homenagem ao deus Academus. Sua obra está intimamente ligada aos problemas filosóficos de sua época. Platão viveu durante a florescente democracia ateniense - e na democracia era importante saber argumentar e convencer os cidadãos a votarem nesta ou naquela proposta. Muitos jovens, que pretendiam ter destaque na vida pública, procuravam professores que lhes ensinassem a arte de falar bem e de maneira convincente. Esses professores de oratória e retórica eram os sofistas, título que, originalmente, significa "sábio".

Relativismo. Os sofistas mais famosos foram Protágoras (480-411 a.C.) e Górgias (485-380 a.C.). Para eles não existem verdades imutáveis, válidas para todo o sempre. Muito do que acreditávamos ser certo no passado, hoje sabemos que é falso, e nada garante que no futuro não venha a acontecer o mesmo. O melhor que podemos almejar é construir um consenso provisório sobre o que é certo para maioria, aqui e agora. "O homem é a medida de todas as coisas", dizia Protágoras, cabe a nós decidir sobre o que é certo ou errado, respeitando os diferentes pontos de vista, pois ninguém pode se julgar dono da verdade. Ora, o melhor modo de fazer isso é a democracia, em que prevalece o livre debate de idéias.A posição dos sofistas é chamada de relativismo, por considerar que não existem verdades absolutas, mas apenas verdades relativas que mudam com o passar do tempo e de uma cultura para outra. Daí a necessidade de sempre refazermos o consenso democrático sobre os problemas que nos afetam e reformar as leis de nossa sociedade.

Modelos ideais imutáveis. Platão achava isso absurdo. É certo que a realidade está sempre mudando, que as coisas nascem e morrem, mas é igualmente certo que existem coisas que não morrem e tampouco mudam. Do contrário, teríamos apenas opiniões (doxa) sobre as coisas, mas nunca um conhecimento (episteme) sobre elas. O que não muda são as idéias das quais as coisas são meras cópias. As coisas podem mudar de forma e tamanho, mas a soma dos ângulos internos de um triângulo será sempre 180 graus, assim como 2 + 2 será sempre igual a 4. O que conhecemos da realidade não é o que pode ser percebido através dos sentidos, mas os modelos ideais imutáveis que estão para além das aparências.Imagine um edifício, um carro, uma máquina. O que eram antes de existir? Apenas uma idéia na mente do projetista ou inventor.
Quando colocada em prática, aparecem as imperfeições que fazem parte da realidade, não da idéia. Da mesma forma, as coisas que existem em nosso mundo são cópias das idéias que lhes deram origem. As cópias estragadas são substituídas por novas, mas a forma permanece sempre a mesma. Quando olhamos para João ou Paula, vemos um ser humano, mas não existe mais humanidade em João do que em Paula, ou melhor, a humanidade não é algo que está neles, mas são como biscoitos retirados de uma mesma forma (ô). Por isso, é inútil buscar alguma verdade no mundo sensível, imperfeito e corruptível, enquanto podemos intuí-la diretamente do mundo das idéias, que permanece imutável e completamente separado do nosso mundo de aparências.

Alma imortal. Mas, se o mundo das idéias é separado do nosso mundo, como Platão sabe que ele existe? Segundo o filósofo, não só ele, mas todos nós sabemos que o mundo das idéias existe porque já estivemos lá. Para Platão, temos em nós duas partes: um corpo corruptível e uma alma imortal. Nossa alma imortal tem sua origem no mundo das idéias, onde contemplou as idéias de tudo o que existe. Assim, quando olhamos para as coisas neste mundo, nos lembramos do que contemplamos no mundo das formas ideais, e dizemos que algo é bom ou justo apesar de nunca encontrarmos algo verdadeiramente bom ou justo em parte alguma.
Quando participamos de um diálogo filosófico, mesmo que seja um diálogo da alma consigo mesma, nos afastamos das opiniões sobre as coisas para contemplar diretamente as idéias. E ao recordar tudo o que vimos no mundo das idéias, onde tudo era eternamente Bom, Belo e Verdadeiro, nossa alma aspira a libertar-se do corpo corruptível, no qual está aprisionada, e voltar para o mundo das idéias.
Enquanto isso não acontece, a alma busca afastar-se de tudo que é ligado ao corpo, dedicando-se à contemplação e à filosofia. Existem almas, porém, que se agarram ao corpo e seus apetites, e tomam o efêmero por duradouro, o relativo pelo verdadeiro.Infelizmente, são poucos os que escolhem o caminho da verdade e da filosofia. Estes são, até mesmo, vistos como loucos pela maioria que vaga entre opiniões incertas. Por tentar retirá-los do mundo de sombras e ilusões em que se encontram ( "O mito da caverna e a visão além das aparências"), alguns filósofos são perseguidos e até condenados a morte, como aconteceu com Sócrates. O filósofo, entretanto, não pode fechar os olhos para verdade - e a única coisa que pode aspirar é que ela, por fim, prevaleça.

*Josué Cândido da Silva é professor de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus (BA).
Histórias Seriadas - As sombras da vida - Alegoria da caverna

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domingo, 2 de agosto de 2009

Renovação

A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos.
Mas, para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.
Aos 40 anos ela está com as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva.
Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil! Então, a águia só tem duas alternativas:Morrer… ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar longos dias.
Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.
Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo.
Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas.
Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.
E só após cinco meses vai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos.
Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor.
Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Site

http://www.hsw.uol.com.br/
HowStuffWorks = como tudo funciona. Site muito interessante sobre assuntos diversos.
Pesquise, busque, investigue, desenvolva suas habilidades, pratique sua inteligência.
O mestre zen e seu discípulo - Um mestre zen convidou um de seus discípulos pra o chá da tarde em sua casa. Os dois conversaram um pouco e chegou a hora do chá. O mestre começou a servir o chá na xícara do discípulo. Mesmo depois que a xícara se encheu, ele continuou servindo. A xícara transbordou e o chá foi se escorrendo pelo chão.Vendo isso, o discípulo disse: “Mestre, o senhor precisa parar de servir. O chá está se derramando, não está indo pra a xícara”. O mestre respondeu:”Muito perspicaz de sua parte. O mesmo acontece com você. Se pretende receber os meus ensinamentos, precisa primeiro esvaziar sua xícara mental”.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Um dia de acampamento na chácara

Professor José cevando mate pela manhã





curtindo as férias em frente a garagem com a Marlene Kuhn



Cuia..... José...... chaleira e Trator


Fogo de acampamento e assando milho verde....








Na colheita de melancia














Pilotando o trator


































Ufa........................ é pesada mas dâ para carregar .................
boas lembranças do verão de 2009.







EDUCAÇAO

Educação.
Examinar com a razão e o coração, ensinar com eloqüência, amor e superotimismo exige da parte dos profissionais da educação conhecimento e atitudes de super-resistência, hiperatividade, autoestima, autoaprendizagem. Os educadores muitas vezes são protagonistas de atos verdadeiramente heroicos.

Podemos dizer que o professor e a professora são como águias que veem longe, fazem um esforço sobre-humano num processo que se renova a cada dia, e diante da plateia que nem sempre está atenta ao show não perdem de vista seus sonhos e ideais.

Diante da situação e da realidade da educação brasileira carente de investimentos em recursos materiais, tecnológicos, infraestrutura, e formação humana, os professores seguem arregaçando as mangas na hora de contra-atacar o marasmo e o descrédito que assolam nossas escolas, nossos alunos, pais e a sociedade.

Diariamente, professores e professoras tomam consciência do valor que teem e seguem sendo coautores no processo de mudanças nas esferas intraescolar e extraescolar, pois acreditam que é antipedagógico demonstrar desânimo e deixar que as coisas fiquem como estão.

A classe dos educadores precisa ser mais respeitada, os educadores são profissionais hiper-requintados. O professor é antes de tudo um superamigo. Os alunos em sala de aula deveriam olhar para o professor assim como faz o girassol que busca a luz para desabrochar para a vida.

O professor não cai de paraquedas na sala de aula. Educar exige vocação e preparo intelectual e profissional, exige investimento financeiro e humano. O professor que ama o que faz, coloca o coração em suas ações e se doa incondicionalmente. Mas é bom esclarecer que o papel do professor não é fazer filantropia.

O bom professor é antes de tudo um profissional competente, ele não é o mandachuva da sala de aula, não é autoritário, nem o dono da verdade, mas sim alguém que merece ser tratado com respeito, gentileza, cordialidade, amor, carinho e atenção. Valores estes que também devem ser dispensados aos educandos, pois no processo educativo somos todos aprendizes.

Professor José Antonio Rodrigues.

terça-feira, 28 de julho de 2009

origem da filosofia

A ORIGEM DA FILOSOFIA
O nascimento da filosofia grega deu-se no século: VI A .C. No início da filosofia as explicações acerca do fenômeno da vida eram baseadas no: mito e razão.Esta descoberta foi fruto de um longo processo e deu-se lentamente. Inicialmente, o homem olhava para o mundo e o percebia como uma desordem, um caos. Os Poetas gregos viam tudo o que existia e acontecia como responsabilidade dos deuses. Observando tudo que ocorria ao seu redor, os antigos pensadores passaram a explicar os acontecimentos e a existência a partir das formas da natureza. Eles observavam os elementos TERRA, ÁGUA, AR, FOGO e passaram a explicar o mundo através da razão.

O Conhecimento, episteme para os gregos, é a palavra que encerra a busca do homem na tentativa de desvendar o mundo, o universo. N tarefa de realizar esta empreitada, eles romperam com a explicação mitológica e passaram a fazer uso da razão e utilizar o discurso racional. O discurso racional pode ser questionado, reinterpretado, e reelaborado. Mas o uso da razão não eliminou de vez o mito que continuou a exercer um papel importante na busca do conhecimento. Associar o conceito mito à mentira fantasia ou ilusão é um equivoco. O mito foi uma primeira forma de atribuir significado ao mundo, é uma forma de interpretar o passado e o presente sob a influência da fé da imaginação. O conceito Mito significa narrativa, relato, mensagem, palavra. As Palavras narram a origem.

Através dos mitos podemos conhecer a origem dos deuses, mundo, homens, técnicas e vida social. Ele transcende a experiência imediata, o senso comum e a razão, é uma crença sem necessidade de demonstração. Por não carecer de demonstração ou provas, é um conhecimento intuitivo. As funções do mito são as seguintes: funções religiosas, sociais e filosóficas.. Entre nós ainda temos muitos mitos e lendas como o lobisomem. A loira do banheiro e tantos outros.

Também podemos perceber a influencia dos mitos modernos como os modelos de beleza, poder e força que condicionam o comportamento humano. Mas os mitos podem ser negativos ou positivos. Por exemplo, os mitos de poder e de superioridade de uma nação que pode levar à tirania. Os mitos destrutivos podem levar à desumanização da sociedade.
Prof. José Antonio Rodrigues